A viagem da Amélia com crianças – parte I

Mais uma leitora que me manda um relato maravilhoso sobre sua viagem: e dessa vez, com informações super detalhadas de programas e passeios com crianças. A viagem deles foi de somente 6 dias, mas que eles souberam aproveitar como ninguém. O relato ficou tão rico, que dividi o post em duas partes. Mais uma vez fico super feliz por poder compartilhar esses relatos com vocês. Aí vai:

“Estivemos em São Francisco pela primeira vez em março ou fevereiro de 2007. Nessa época, éramos apenas eu eu meu marido, morávamos em Montreal e fomos presenteados com três dias lindos – ensolarados, quentes e coloridos, tudo de que precisávamos, sofridos com os habituais 30 graus negativos do inverno canadense. Dessa vez foi diferente: fomos do início do verão, saindo de Nova Iorque (onde moramos atualmente), a primavera ainda latente e, na bagagem, duas menininhas adoráveis de sete e três anos, a Beatriz e a Priscila, que influenciaram todo o trajeto. Encontramos, em pleno verão, uma São Francisco cinza e gelada, que trouxe um novo olhar sobre a cidade, nem por isso menos encantador. Exploramos também algumas regiões ao redor, tudo condensado em seis dias. É essa experiência que eu gostaria de compartilhar neste diário de viagem.

Chegamos a São Francisco numa segunda-feira pela hora do almoço e devo dizer que não aproveitamos muito esse dia. As seis horas de viagem diurna e as três horas de fuso (além de termos acordado super cedo para viajar) nos deixaram exaustos e só tivemos ânimo para andar um pouco pelo Fisherman’s Wharf, onde ficamos hospedados, almoçar num daqueles restaurantes super turísticos (não me lembro o nome) e voltar correndo para o hotel, morrendo de cansaço e de frio.

O hotel, Marriott Cortyard, foi correto, o quarto espaçoso, apesar de o hall de entrada estar sempre repleto de moscas e de o café da manhã, pago à parte, ser bem fraco (em qualidade, pois foi bem farto). No segundo dia, preferimos tomar o breakfast no charmoso Black Point, que fica a duas ruas do hotel, ao lado da Ghirardelli Square. Tanto o croissant quanto os ovos mexidos estavam deliciosos. Da nossa mesa, vista linda para o mar!

Não nos preparamos o suficiente para o vento frio. Ok! O Hotel Califórnia e vários outros blogs de viagem tinham nos alertado para trazer um casaco, pois a cidade não tem estações definidas e pode fazer um certo frio o ano todo, com fog e vento gelado, mas acho que fiquei influenciada pelo clima maravilhoso que pegamos sete anos atrás e até trouxe uns casaquinhos, mas não quentes o suficiente. Segurei as pontas para não ter de comprar os lindos casacos das lojas de turistas (Por que será todas estão abarrotadas deles?!). Passei frio, mas não paguei esse mico…

No dia seguinte, descansados e renovados, fomos para o Golden Gate Park, a começar pela California Academy of Sciences. De-mais!! As meninas amaram e nós também. Experimentamos a Shake House, uma casa em que se simula o movimento de um terremoto, e ficamos impressionados com as fotos da destruição causada pelo abalo que ocorreu na cidade em 1906. Pensei que a Priscila fosse se assustar, mas morreu de rir quando tudo começou a chacoalhar. A Rainforests of the World é muito interessante e bonita, principalmente pelas borboletas que ficam voando livremente por lá. Parece que querem interagir com as pessoas e, se você ficar bem quietinho, elas pousam em você. O ascensorista instrui: “Apenas se certifique de que, na volta, você não traga nenhuma borboleta para dentro do elevador”. Maravilhoso!!! E o aquário? Que coisa mais linda!! Os peixes que vemos de cima na Rainforest, vemos por baixo no aquário. As crianças puderam tocar estrelas do mar e conchas de diferentes texturas. Depois de inúmeros tanques pequenos e espécies as mais diversas, uma surpresa: o enorme tanque com milhares de peixes menores, de todas as cores imagináveis e inimagináveis. Nos sentamos nos degraus dispostos bem na frente e ficamos quase uma hora a admirar aquele calmante natural. Por sorte, era justamente a hora de os peixes serem alimentados, então um mergulhador entrou no tanque e interagiu com o apresentador e com o público, respondendo a peguntas. Sim, ele usa um microfone especial e conseguimos ouvi-lo. Entre todos esses polos de atrações, há lagos com arraias e tubarões bebês, que não cansamos de apreciar.

Foto: Amélia Alsina

Foto: Amalia Alsina

Almoçamos lá mesmo, em um café com várias opções de lanches rápidos e muitas mesas para sentar em família. Depois atravessamos a rua e fomos para o Japanese Tea Garden. A essa altura, a Priscila estava dormindo o soninho do dia, uma pena!, mas a Beatriz curtiu muito observar aquelas construções vermelhas que lhe lembraram o filme da Mulan e andar pelos caminhos sinuosos, atravessar as pequenas pontes em arco sobre os lagos com carpas, ouvir e observar as quedas d’água correndo pelas pedras cuidadosamente dispostas. Ela, com apenas sete anos, definiu perfeitamente o lugar, dizendo: “It’s so peaceful…”.

Na quarta, seguimos rumo ao Sonoma Valley. Outro clima, em todos os sentidos: tempo aberto, sol, calor até. Fomos a uma cidade chamada Sebastopol para conhecer o The Barlow, um espaço com uma série de galpões nos quais funcionam galerias de arte, cafés, lojas gourmet e de vinho. Na verdade, ao chegarmos lá, descobrimos que por enquanto está mais para um projeto; há muitas lojas ainda por abrir. Mas foi agradável. As meninas gostaram particularmente de uma loja de brinquedos educativos chamada Circle of Hands e de ver os morangos plantados nos canteiros, junto às flores.

De lá seguimos para Sonoma. Que cidade mais simpática! Almoçamos no The Girl and the Fig, andamos pela Plaza, entramos em vários daqueles pátios com fontes e lojinhas lindas e fomos correndo para a Sonoma Traintown Railroad antes que fechasse às cinco da tarde. Trata-se de um parque de diversões, com roda-gigante e carrossel e uma exposição de minilocomotivas. Uma graça! A principal atração é um trenzinho que nos leva pra dentro da mata, com lagos, pontes, bichinhos e bonecos cuidadosamente dispostos pelo caminho, para os quais o maquinista acena, nos levando para o mundo da imaginação. O passeio inclui uma parada em uma cidade em miniatura, com escola, prisão, igreja, estação, tudo pequenininho. Pode-se também alimentar os animais, usando moedas de 25 cents para retirar a ração. Beatriz exclamou: “This is awesome!”. Mais um detalhe sobre a cidade de Sonoma: todos paravam os carros para nós, pedestres, passarmos, independente de ser na faixa de pedestres ou não. Todos! Nunca vi isso em nenhum outro lugar do mundo. Parar na faixa, tudo bem. Vivi em Brasília durante anos, uma das poucas cidades brasileiras em que se respeita a faixa de pedestres, mas nunca tinha visto nada igual. Será que era porque estávamos com crianças? Mais um ponto para Sonoma! Ficamos no hotel Best Western Sonoma Valley Inn, com quarto amplo, com uma pequena varanda privativa que dava para a piscina. Bem na saída dos quartos para o estacionamento, há uma parede com vários murais coloridos, de artistas da cidade, representando cenas da cidade. Isso deu um charme especial ao local! As meninas adoraram o colorido intenso! O ponto negativo vai para o café da manhã, incluído na diária: horrível!

Foto: Amélia Alsina

Foto: Amalia Alsina

Na manhã seguinte, partimos para Santa Cruz Mountains, para visitar a vinícola Ridge, que meu marido, apreciador de vinhos, escolheu a dedo. Essa fica bem no alto da montanha, acessível por aquelas estradinhas que vão se enrolando na encosta. Dois veadinhos cruzaram a estrada enquanto subíamos (Pena que, quando diminuímos a velocidade para apreciar mais atentamente, um motorista apressado nos ultrapassou barulhenta e impacientemente, assustando os bichinhos). A ideia era que, enquanto ele participasse da degustação, eu e as meninas ficássemos passeando pela propriedade, que é muito bonita, com vistas fenomenais. Mas, chegando lá, meu digníssimo marido fez uma revelação: “Eu não quis falar antes porque você não ia querer vir, mas aqui tem muita cobra!” O lugar é cheio de placas avisando: “Beware of rattlesnakes”. Nem preciso dizer que eu, que tenho muito medo desse bichinho rastejante, fiquei com as meninas quietinha no espaço reservado para piquenique, com pânico de sair explorando o belíssimo lugar. Trouxemos pães, queijos, mel e presunto (do Whole Foods de Sonoma)e comemos naquele lugar inspirador, eu e meu marido degustando o vinho da casa. O espaço é aberto ao público, muitas pessoas sobem até lá apenas para fazer piquenique e apreciar a vista, mas, se for tomar bebida alcoólica, só o vinho da casa.”

No próximo post, tem Carmel e Monterey com as crianças.

2 ideias sobre “A viagem da Amélia com crianças – parte I”

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